domingo, 4 de julho de 2010

MINISTÉRIO PASTORAL E O O PERIGO DA BUSCA PELO SUCESSO



As últimas décadas têm sido marcadas por grandes mudanças no meio evangélico, principalmente pelo rápido crescimento das igrejas neopentecostais somado a facilitação de acesso aos meios de comunicação em massa. Se por um lado tem ajudado muito quanto a propagação da Palavra de Deus que entra pelos lares dia após dia através da televisão, rádio e internet, por outro tem despertado um tipo de ministério pastoral que não se pauta pelo exemplo de Cristo onde o maior é o que serve lavando os pés uns dos outros.

O que temos visto ultimamente é uma busca desenfreada pelo sucesso, pelos aplausos e holofotes, contrariando os princípios básicos de Cristo para o ministério do pastor e da pastora.

Dentre as qualidades que o ministério requer do pastor e da pastora está a humildade. Cristo é o nosso maior exemplo de humildade, como está escrito: “a si mesmo se humilhou” (Filipenses 2.8). Para expressar a dignidade a vocação, o/a líder espiritual busca seguir os passos de Jesus apresentando-se sempre em forma de servo.

A busca pelo sucesso a qualquer preço e a vinculação do trabalho na obra de Deus com qualquer atividade econômica do mercado levando líderes ao profissionalismo, tem afetado diretamente o carisma do ministério pastoral. A maioria dos líderes evangélicos de hoje, em busca de status, tem se corrompido não atentando para os conselhos do Apóstolo Paulo em Romanos 12:2 que grita aos nossos ouvidos: “não vos conformeis com este século...”.

“O ídolo número um entre o povo de Deus atualmente não é adultério, pornografia ou álcool. É a cobiça, um desejo dominante muito mais forte. O que é este ídolo? É a ambição obcecante de alcançar sucesso. E tem até mesmo uma doutrina para justificar” . Líderes religiosos, templos, catedrais, denominações, status e títulos, tem se tornado verdadeiros ídolos para os falsos cristãos. Os pastores que buscam o sucesso a qualquer preço não só tem se tornado idólatras como também se sentem os próprios ídolos de fiéis sem conhecimento da Palavra libertadora.

A Revista Eclésia descreve: “A relação entre fé e riqueza nunca despertou tanto interesse quanto nos dias de hoje. Graças à predominância do capitalismo, as religiões são cada vez mais atraídas por um apelo financeiro. O principal alvo dos críticos dessa relação são os evangélicos”.

A Revista cita o sociólogo Ricardo Mariano, da PUC – RS, que diz: “A teologia da prosperidade, ao justificar o intenso pedido de dízimos e ofertas, agrada aos pastores cujos projetos evangelísticos são ambiciosos e de alto custo. Pastores, sem cerimônia, passaram a pedir dinheiro em grandes quantias, enquanto os fiéis, sem culpa, assumiram seus desejos de consumo e ambições materiais”.

O ministério pastoral não deve ser espaço de ostentação de riqueza e sucesso, mas sim representar Cristo na sua essência, ou seja, o servo humilde que denuncia a opressão e o farisaísmo.

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